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Maria Berasarte

O regresso de Maria Berasarte com “Súbita”

“María partilha os frutos de um trabalho inovador que nos toca no mais profundo da alma. Se ela canta aos desamores, ao oceano ou à dificuldade de existir, fá-lo com uma excepcional força emotiva. Modelando a sua voz com o prazer e jogando com os silêncios, mantém uma evidente cumplicidade com os seus músicos, para dar uma perfeita musicalidade à mensagem. Ela renova assim a música de uma península, levando-a a insuspeitados apontamentos poéticos”.

Lisboa, 2015 – Após a extraordinária surpresa do seu álbum de estreia com o primeiro disco de fado cantado em espanhol a segunda obra de María Berasarte, SÚBITA, coincide precisamente com o seu regresso a casa. Os arranjos musicais são fundamentais neste novo álbum produzido e dirigido pela própria artista. Eles estão nas mãos de dois grandes músicos que criam um duelo de elegância, um som exclusivo para a ocasião: José Luis Montón na guitarra flamenca e, na guitarra clásica, o português José Peixoto que, juntamente com o também membro do mítico grupo Madredeus, Fernando Júdice, acompanha Berasarte desde o início da sua aventura.

 

Capa Súbita

 

Com temas como Palhaço de Gismonti, Txoria txori de Mikel Laboa, ou mesmo uma prodigiosa versão de Piensa en mí de Agustín Lara, SÚBITA apresenta-se como um disco essencialmente feminino, com mensagens directas, notas limpas, frágil, aproximando-se por vezes do sussurro.

“Tentei partilhar com o ouvinte um mesmo espaço onde a voz quase se pode tocar”, diz a cantora, que revela que todos os caminhos percorridos terminam neste álbum. “Nele volto a desfrutar, compartilhando tudo o que vivi”. Dedicou à canção de Lisboa o seu primeiro álbum Todas las Horas Son Viejas (Universal) que, de acordo com a crítica portuguesa, é o melhor álbum de fado gravado por uma voz estrangeira. Foi convidada por Carlos do Carmo, lenda viva do fado, recentemente galardoado com um Grammy de  carreira, para o concerto do seu 45º aniversário pelos palcos de todo o mundo. Assim se  estreou no país vizinho, pela mão do grande fadista, com essa música, perante 12.000 pessoas.

“Estamos perante um fado cantado das entranhas mas sem a pretensão de imitar quem quer que seja e com momentos musicais de rara beleza. Heresia, dirão alguns. Difíceis de classificar, dirão outros. Novo e muito belo, digo eu.” Carlos do Carmo

Portugal, França, Bélgica, Macau, Moçambique, Grécia, Suíça e Itália são alguns dos países onde ela deixou algo de si, ou como em 2013 durante o festival de Badasom, compartilhando o palco com o inesquecível Paco de Lucía, num dos seus últimos concertos. Entre os seus últimos compromissos profissionais em 2015 incluem-se o Festival Music in Church de Sibiu, na Roménia e o Festival Mawazine em Rabat.
María Berasarte é habitual em festivais como Au Fil des voix (em Paris e Vaison-la-Romaine); Festas de Lisboa, Festa do Fado, no Castelo São Jorge de Lisboa; Badasom, onde fazia parte do programa e fez a primeira parte do concerto de Paco de Lucía; Festival de música e dança de Granada; Festival Músicas do Mundo de Sines, Festival Mawazine, Alamar música, Festival de Folk Getxo. E tem levado a sua arte a cidades tão dispares como Macau (China) ou Maputo (Moçambique).

María tem a eloquência dramática dos grandes fadistas, mas também o rigor e exuberância da expressão dos sentimentos das divas espanholas. Nela se cruzam tradições, temperamentos, cores – a onda do fado, a nobre clareza do canto lírico … “  Com a sua voz hipnotizante e suave, María Berasarte devolve uma sincera homenagem à rica tradição musical da península Ibérica. E com fervor canta ao oceano, ao desamor ou à nostalgia …

Hasta no grabar el disco de fados no sentí el permiso de incorporarlo a mi canto, un canto que abarca diferentes sonoridades ibéricas y que necesitaba permitirse ciertas libertades para lograr un sonido auténtico y verdadero. Maria Berasarte